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terça-feira, 23 de julho de 2013

Sobre um poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder

Os sete poemas de «Servidões», ditos por Fernando Alves.

Os sete poemas de «Servidões», ditos por Fernando Alves.
(Iniciativa com o apoio da Assírio &Alvim)


Aqui:

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3241601

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Homem na chuva

Ardendo de amor,as cigarras cantam : mais belos porém são os pirilampos,cujo mudo amor lhes queima o corpo!...(Canções camponesas do Japão,in H. Helder)