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terça-feira, 17 de setembro de 2013

A Promiscuidade Tira a Vontade

A Promiscuidade Tira a Vontade

"O que é a experiência? Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re...re-petido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.
Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. O sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.

Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade."

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

sábado, 18 de setembro de 2010

Pessoal e Transmissível

Pessoal... e Transmissível, com Carlos Vaz Marques
De Terça a Quinta, 19h10m. Repete à 01h00m


Entrevista a Miguel Esteves Cardoso
06.Jul.2010

«Gosta de peixe, de livros, de blogues e confessa que é um homem de excessos, embora esteja a fazer dieta. Miguel Esteves Cardoso acaba de publicar o livro “Em Portugal não se come mal” e é o convidado de Carlos Vaz Marques, ao fim da tarde, numa conversa em que não se fala só de comida.»
ouvir
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1022971


Christopher Hitchens, escritor e polemista
24 MAR 10
As religiões são escolas de submissão e a ideia de Deus é a fonte de inspiração de todos os ditadores. O autor do livro «deus não é grande», o escritor e polemista Christopher Hitchens, é o convidado ao fim da tarde para a conversa com Carlos Vaz Marques.


http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1527157

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O tom crespo

É novo: Mário Crespo defende-se antes de ser atacado. Tem o tom crespo que corresponde às qualidades do tecido de lã, crespo e leve, a que os franceses chamam crépon e nós, seguidistas, crespão. A crespidão é a qualidade do que é áspero. Mas não é o estilo de Crespo, que é aveludado sem ter a coragem de ser suave e untuoso sem se reconhecer como gorduroso.



José Sócrates é muito intolerante — mas tem esse direito, como todos temos. Porque há-de medir as palavras e as acções, como se fosse melhor do que nós? Acho muito bem que se indigne e ponha processos como o comum dos mortais. Deverá alguém — à parte os indiferentes da Prisa — prescindir da liberdade de dizer o que quer? Parece-me que, num pensamento totalitário, se confunde o político com o legal. Sócrates, antes e depois de ser primeiro-ministro, é um cidadão como qualquer um de nós. E faz bem — é libertador — agir como tal, mesmo quando se comporta como a prima donna que, de facto, por feitio dele e eleição nossa, é. Sócrates, ao reagir como cidadão e abster-se das condescendências e pseudo-aristocracias da democracia, presta um serviço e rompe com uma tradição. Não é um Presidente da República, acima de tudo: é um eleito que elegemos para mandar em nós. Pode ser um chefe temporário mas faz bem em ser um cidadão e indivíduo para sempre. Crespo é mais aromático e mais permanente. Fazer-se de vítima antes de ser — só porque há muito que há muitos que não gostam dele — é, a bem dizer, desumano.'
Miguel Esteves Cardoso, O tom crespo (Público)