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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Somos todos vigiados

http://franciscotrindade.blogspot.pt/2013/07/o-salto-do-governo.html#links http://aespumadaspalavras.blogspot.pt/2013/07/somos-todos-vigiados-ignacio-ramonet-10.html http://www.leparisien.fr/essonne-91/un-train-deraille-a-bretigny-12-07-2013-2977769.php

José Jorge Letria

Deixa-me reinar em ti
o tempo apenas de um relâmpago
a incendiar a erva seca dos cumes.
E se tiver que montar guarda,
que seja em redor do teu sono,
num êxtase de lábios sobre a relva,
num delírio de beijos sobre o ventre,
num assombro de dedos sob a roupa.
Eu estava morto e não sabia, sabes,
que há um tempo dentro deste tempo
para renascermos com os corais
e sermos eternos na sofreguidão de um instante.

José Jorge Letria

Naquela parede de pedra incerta

na janela
daquela parede de pedra incerta
respira um mundo pintado de branco inverno
ali, ao alcance dos meus passos
mas deste lado
da parede de pedra incerta
a neve cobre os meus passos lentos
e arrefece a vontade de me fazer caminho na alvura.

na janela
daquela parede de pedra incerta
mora um quadro vivo de luz fria e vento alvo
ali, ao alcance dos meus olhos
mas o olhar fica
deste lado da parede de pedra incerta
e eu retenho em mim a respiração do mundo
pintado na luz fria que se aninha na janela
JOÃO CARLOS ESTEVES, in revista FOTOMANYA VIP (nº 6 , Maio/Junho 2013)

Completamente ao Natural




You turned the tables on me
And now I'm falling for you

You turned the tables on me
I can't believe that it's true
I always thought when you brought
The lovely present you bought
Why hadn't you brought me more?
But now if you'd come

I'd welcome anything from
The five and ten cent store
You used to call me the top
You put me up on a throne
You let me fall with a drop
And now I'm out on my own
But after thinking it over and over
I got what was coming to me
Just like the sting of a bee
You turned the tables on me
You turned the tables on me
And now I'm falling for you
You turned the tables on me
I can't believe that it's true
I always thought when you brought
The lovely present you bought
Why hadn't you brought me more?
But now if you'd come

I'd welcome anything from
The five and ten cent store
You used to call me the top
Ahh, you put me up on a throne
You let me fall oh with a drop
And now I'm out on my own
But after thinking it over and over
I got what was coming to me
Just like the sting of a bee
Just like the sting of a bee
Just like the sting of a bee
Turned the tables on me
Buzz, buzz, buzz, buzz
You turned the tables on me




http://www.kienyke.com/fotoshow/completamente-al-natural/************http://youtu.be/-gGKUrek3xM

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O corpo e a mente

 




«O corpo está entre os principais conceitos da Educação Física, ele motiva reflexões sobre essa educação que propõe uma mente sã e um corpo são. Esse célebre adágio do literato latino Juvenal nos mostra que, já na cultura clássica, havia preocupação pelo corpo e pelo espírito. O que nos faz constatar que desde os primórdios aos nossos dias, a educação por meio da atividade física esteve ligada ao propósito de cuidar do corpo.

Em tempos em que é comum vermos o corpo tomado como objeto e sendo mecanicamente preparado para obter altos rendimentos, aperfeiçoado segundo padrões de estética e de performances,visando à obtenção do corpo modeladamente perfeito, faz-se urgente o estudo desse fenômeno. Pois, compreendido como produto e negligenciado em seus aspectos essenciais pela própria Educação Física (quem sabe, pela exaustão de suas teorias) nos propomos a perguntar pelo corpo no que tange sua existência mundana, histórica e cultural. De modo que, seria insuficiente a análise do corpo apenas como um organismo, explicado pela mecânica do movimento ou do gesto esportivo. Há de se colocar a questão do corpo no campo filosófico, no qual a separação corpo-consciência e problema ainda está em aberto.

O homem sempre teve dificuldade de compreender a si mesmo como uma unidade. Por questões míticas ou religiosas sempre se entendeu composto de duas partes distintas e separadas: o corpo (material, físico) e a alma (espiritual, consciente ou intelectual). Essa cisão parte do princípio de que o ser humano se dá em dois cotos, em que, o primeiro é o corpo e o outro o intelecto1. A esse fenômeno chamaremos dicotomia psicofísica, o que remonta à dualidade sujeito e objeto (ou seja, o homem e o mundo), tradicional ao pensamento fi- losófico. Esses elementos integram questões que habitam a pauta dos filósofos desde a antiguidade, como podemos ver em uma contextualização de alguns autores da história da Filosofia.

A referida dualidade já aparece no pensamento grego no século IV a.C.. Com Platão (428 – 348 a.C.), ela parte do pressuposto que a alma, antes de se encarnar, teria vivido a contemplação do mundo das idéias. Após isso, a alma decairia desse mundo encarnando em um corpo que, para o autor consistiria em um invólucro desta. Aprisionada no corpo, a alma humana se degradaria em duas, a primeira superior (a alma intelectiva); a outra inferior (a alma do corpo).

À luz do método fenomenológico o corpo é tomado como um fenômeno, na medida em que a consciência é unidade com seu mundo

REPRODUÇÃO
René Descartes desenvolveu suas idéias duvidando da realidade do mundo e do corpo, até chegar à primeira verdade indubitável: o cogito. Assim, fez emergir o sujeito, constituído de duas substâncias, uma de natureza espiritual, que é o pensamento; outra de natureza material, que é o corpo

Essas idéias contrastam com certas concepções da filosofia de Platão. Por exemplo: em uma cultura como a helênica, na qual tem berço não só a filosofia mais os esportes olímpicos, o autor não poderia deixar de valorizar a ginástica. Mas, mesmo isso, confirmaria a superioridade da alma sobre o corpo. Para o filósofo, a Educação Física (ginastiké) traria o equilíbrio entre estas partes, pondo o corpo na posse de saúde perfeita e permitindo que a alma se desprenda do mundo do corpo e dos sentidos para concentrar na contemplação das idéias. O que não faz que o filósofo deixe de entender as coisas do mundo em sua multiplicidade como derivadas das idéias, ou seja, a cada aspecto do mundo dos fenômenos corresponderia a uma essência imutável no mundo das idéias.

Mesmo na Grécia clássica, o conceito de corpo e de ginástica, são mais que objeto e exercício, ambos compõem a cultura da beleza e do bem (Platão demonstra que, em sua juventude, admirava a beleza física, mas, com o amadurecimento, descobriu que a beleza da alma é mais preciosa que a do corpo). Todavia, as concepções do pensamento de Platão, embora tenham tido grande penetração em sua época e influenciado escolas filosóficas posteriores, não eram unânimes. Divergindo de Platão, seu discípulo Aristóteles (384 -322 a.C.) reconhecia o papel do corpo e dos sentidos no conhecimento, não o considerando “cárcere da alma”.

Séculos adiante, a Igreja exercia grande influência política e econômica na população e não permitia que houvesse preocupação com o corpo, considerando- o. Nessa época, mais tarde denominada por alguns teóricos do Renascimento como o “período das trevas”, o corpo, no âmbito religioso, ocupava lugar de subordinação, sendo alvo de punição e de regulação. Esse desprezo pelo corpo inferioriza-o, fazendo com que ele fosse visto como a prisão da alma e o responsável pelas faltas cometidas.

Durante o período medieval, os problemas filosóficos em relação ao corpo continuaram a estar no foco do debate entre pensadores. Contudo, a fi- losofia propriamente dita era dependente da teologia. Para a doutrina cristã, determinante dessa compreensão teológica, o corpo era considerado sinal de pecado e degradação, acerca disso se desenvolveram práticas de purificação estimuladas pelo ascetismo (doutrina moral que desvaloriza os aspectos corpóreos e sensíveis do homem, ou ainda, mortificação da carne e a purificação corpórea).

Santo Agostinho (354-430 d.C.) partiria de algumas dessas compreensões teológicas, entretanto, teve seu pensamento influenciado por Platão ao considerar o homem uma mistura de alma e corpo, vendo a alma como interioridade, como autoconsciência. Isso fez com que Agostinho contrariasse a compreensão comum que a teologia teria do corpo, propondo idéias que dignificavam o corpo humano, ao pensá-lo como entreposto do espírito. Com esse filósofo, fica marcado o esforço de não perder de vista a corporeidade humana como um fenômeno factual, imanente e relativo à vida, mesmo contrariando uma teologia exacerbada.

Com tudo isso, em grande parte do Medievo, havia tabus endossados pela Igreja acerca do corpo e seu conhecimento. Isso atrasou em séculos o avanço, não só das ciências médicas, como também das antropologias. Apenas tardiamente surgiria um olhar livre de censuras do homem sobre si próprio. O olhar da consciência racional possibilitado com o Renascimento fez outro entendimento do corpo, considerando- o objeto da ciência, em sua natureza física e biológica.

Apenas com a Revolução Científica do século XVII, especificamente com René Descartes (1596 - 1650 d.C.) dar-se-ia uma filosofia independente da tradição cristã e novamente original. Depois dos gregos, o sistema cartesiano inaugura um conceito novo de homem, de mundo e de Deus.»

via

http://www.revistafilosofia.com.br/ESFI/Edicoes/17/artigo70334-1.asp

Urgentemente

 

É urgente o Amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras

ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,

e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.


Eugénio de Andrade
http://youtu.be/VSkz3j9b23Y

Glenn Gould - Bach - BWV 872 - Prelude And Fugue

http://www.youtube.com/watch?v=9kUex32NLzM&feature=share&list=PLCw6iBwd-eynRYmVonrkripUOkk4Cy8BZ