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sexta-feira, 20 de abril de 2012

QUIMERA

QUIMERA Eu quis um violino no telhado e uma arara exótica no banho. Eu quis uma toalha de brocado e um pavão real do meu tamanho. Eu quis todos os cheiros do pecado e toda a santidade que não tenho. Eu quis uma pintura aos pés da cama infinita de azul e perspectiva. Eu quis ouvir ouvir a história de Mira Burana na hora da orgia prometida. Eu quis uma opulência de sultana e a miséria amarga da mendiga. Eu quis um vinho feito de medronho de veneno, de beijos, de suspiros. Eu quis a morte de viver dum sonho eu quis a sorte de morrer dum tiro. Eu quis chorar por ti durante o sono eu quis ao acordar fugir contigo. Mas tudo o que é excessivo é muito pouco. Por isso fiquei só, com o meu corpo. (Rosa Lobato de Faria)Ver mais

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Se eu morrer de manhã

Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.

Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a noite é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.

Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
o único que sei.

Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.

Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que não venho
e do mistério nada te direi.

Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei


Rosa Lobato Faria (20-04-32 - 2-02-2010)