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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Valter Hugo Mãe

”Um problema de ser-se velho é o de julgarem que ainda devemos aprender coisas quando, na verdade, estamos a desaprendê-las, e faz todo sentido que assim seja para que nos afundemos inconscientemente na iminência do desaparecimento. A inconsciência apaga as dores, claro, e apaga as alegrias, mas já não são muitas as alegrias e no resultado da conta é bem visto que a cabeça dos velhos se destitua da razão para que, tão de frente à morte, não entremos em pânico. A repreensão contínua passa por essa esperança imbecil de que amanhã estejamos mais espertos quando, pelas leis mais definidoras da vida, devemos só perder capacidades. A esperança que se deposita na criança tem de ser inversa a que nos dirige. E quando eu fico bloqueado, tão irritado com isso, sem dúvida, não é por estar imaturo e esperar vir a ser melhor, é por estar maduro de mais e como que apodrecendo, igual aos frutos. Nós sabemos que erramos e sabemos que, na distração cada vez maior, na perda de reflexos e de agilidade mental, fazemos coisas sem saber e não as fazemos por estupidez. Fazemos por descoordenação entre o que está certo e o que nos parece certo e até sabemos que isso de certo ou errado é muito relativo. É tudo mais forte do que nós.”

(Valter Hugo Mãe – A Máquina de Fazer Espanhóis)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

força da nossa voz



“À força da nossa voz” as palavras de Valter Hugo Mãe, na música de Paulo Praça

«havemos de conhecer
quanta estrada se frusta
quanta não leva a nada
quantos dias nos custa a boca calada
e quanto tempo falta
até se cumprir cada coisa adiada.
havemos de conhecer
o lugar mais belo
onde nos encontraremos todos
e onde a cada manhã
se juntem homens e mulheres
à força da nossa voz
homens e mulheres felizes
no mais fundo de nós»