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quinta-feira, 24 de junho de 2010

PERFIL

Perfil

Tenho tantos anos e cursos, tantas experiências de vida que não me apetece falar mais disso, e não falarei.

Não direi senão que fui colaboradora permanente de diversos jornais diários em artigos de opinião e de intervenção social, e responsável por uma página semanal sobre problemas femininos. Havia na página um consultório jurídico e um consultório médico que julgo terem prestado serviços interessantes às leitoras e aos leitores do jornal; havia entrevistas e informações e opiniões de mulheres inteligentes e sensatas sobre a sua vida num mundo que parecia muito dos homens. A página tinha um interessante design gráfico e belas imagens originais.

Filosofia foi o curso que mais me marcou e que fiz na Universidade do Porto.

Interesso-me por pintura e por design contemporâneo. Desenvolvi durante anos um projecto de divulgação do design português para objectos decorativos e de mobiliário. Tive uma galeria de exposição e venda dos artigos por nós editados e outros, e considero que alterei o gosto dos conterrâneos sobre decoração de interiores.

Escrevi poesia para as páginas literárias de diversos jornais e publiquei nos últimos anos três livros com múltiplas referências à cidade do Porto, onde vivo com muito prazer, e a histórias da família.

Neste momento estou muito interessada em entrar na blogosfera, se me for permitido.


http://zildacardoso.blogs.sapo.pt/


SONETO DA FIDELIDADE
Vinícius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Antologia Poética)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Zilda Cardoso

"Procuro entender as actuais tendências da comunicação social a respeito de política e afins, para além da experiência. Como na moda, é necessário, antes de qualquer coisa que nos ocorra, conhecer as tendências. A Internet será o sítio ideal para a investigação.

Há muitas definições para política, muito conceituadas desde Aristótoles. Escolho duas: “estudo das relações de regularidade e concordância dos factos com os motivos que inspiram as lutas em torno do poder do Estado e entre os Estados"e “ciência moral normativa do governo da sociedade civil”.

Ciência moral normativa do governo…

E para comunicação social escolho as mais modernas - "o estudo das causas, funcionamento e consequências da relação entre a sociedade e os meios de comunicação de massa…” “ Engloba os processos de informar, persuadir e entreter as pessoas. Encontra-se presente em praticamente todos os aspectos do mundo contemporâneo, evoluindo aceleradamente, regista e divulga a história e influencia a nossa rotina diária, as relações pessoais e de trabalho.

Informa, divulga, evolui rapidamente…

Porém, o que nos cabe no presente como comunicação social a respeito de política terá alguma coisa a ver com estas ideias?

Informa, esclarece... ou confunde? A forma como é feita, desfeita e refeita… a informação… os temas que aborda, apoquenta-nos verdadeiramente, porque domina a nossa rotina e impressiona as relações de modo obscuro e negativo.

A informação política já não persuade nem entretém senão uns tantos. A maioria não tem vontade de ler (porque não vai acreditar) nem de ouvir nem de ver noticiários, análises sábias, discussões em vozes que se sobrepõem sem fim, se misturam, whatsoever, wherever, whosoever, whenever…

A intensidade da nossa vida colectiva é toda feita de intrigas, denúncias, combinações e estranhos negócios, maledicências labirínticas, queixumes e conluios. Ninguém afirma seja o que for que não vá ser desdito falaciosamente argumentado. Tudo parece ter entrado em turbilhão no caldeirão do João Ratão, onde vai ser aquecido, remexido, moído, temperado a gosto e finalmente passado (num sentido forte do termo ou, talvez melhor, em todos os sentidos).

Sempre ouvi que nós, portugueses, necessitávamos de usar mais a imaginação, de usá-la de forma racional. Eu acreditei nisso e recomendei.

Mas não temos falta de imaginação. A propósito de quê ou a favor de que usaríamos mais a imaginação? Temos imaginação a mais – vivíssima, terrível, diabólica. O nosso mundo parece disforme ou está em pedaços, por excesso dessa imaginação.

Quando será passado… tudo isto que agora vivemos? (Não me refiro a nenhuma crise económica.) Teremos que nos libertar de máscaras e passar a ver e a ser vistos com claridade e simplicidade."

Recordo alguma poesia de Sophia e evoco estes seus versos:

“Esta foi sua empresa: reencontrar o limpo

Do dia primordial. Reencontrar a inteireza

Reencontrar o acordo livre e justo

E recomeçar cada coisa a partir do princípio”.

lido no blogue de Zilda Cardoso

http://zildacardoso.blogs.sapo.pt/